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Acompanhar minha vida não é o mesmo que se conectar comigo


Eu não sei muito bem para que serve o Instagram. Nunca fui muito a fim de utilizar redes sociais, não tenho esse perfil, e o pior de tudo: eu julgo as pessoas que usam.

Ao meu ver, redes sociais, principalmente o Insta e Facebook funcionam para duas coisas: para que você veja o que as pessoas estão postando ou para você postar a fim das pessoas verem. Não consigo mesmo entender as pessoas que tem interesse em estar atualizados na vida de outrem. Para mim, nada interessa a vida dos outros.

A exposição de dados sensíveis

Cada vez mais as pessoas expõe as suas vidas em troca de visualizações e likes. Parece que querem aumentar a sua auto-estima com validação externa, isso mina a própria validação interna, torna a estima refém do outro. Já vi muita gente expondo filhos, pais, avós, familiares e informações extremamente pessoais em troca de 15 segundos de fama.

Mesmo que não tenha redes sociais e tente ser anônimo, como eu tento, a sua vida pode estar exposta. Certa vez, alguém me disse que acompanhava as coisas da minha vida, pois a minha parceira ou meus familiares postam vídeos ou imagens em que eu estou. Minha reação imediata foi de procurar saber porque ela queria acompanhar a minha vida, e se queria, por que não foi falar diretamente comigo?

Vi, recentemente, que a Meta cria um perfil fantasma das pessoas que não tem redes sociais para que ainda assim consigam vender anúncios. Eles conectam diversos fatores como posts, com reconhecimento facial, padrões de mensagens trocada pelo WhatsApp, acessos em sites que têm o rastreador pixel. Para mim, é claramente uma violação da privacidade, e pior, causada por terceiros, pois não consigo ter controle do que postam.

A futilidade de estar sempre conectado

Às vezes pego um smartphone para fazer um doomscroll básico, pois quero fritar o meu cérebro, para desanuviar e fugir da realidade. E começo a ver os reels e em dois ou três minutos já estou de saco cheio destes vídeos, são, quase sempre, coisas muito imbecis, extremismos e falas desnecessárias com apenas o intuito de gerar reações. A futilidade do mundo das redes sociais me incomoda.

Um argumento que sempre ouço é que aproxima as pessoas. Eu moro distante da minha cidade de origem, e sempre me dizem que se eu postasse mais, os meus familiares se sentiriam mais próximos de mim. Porra, o WhatsApp já funciona para isto. Sei que esta plataforma também é uma rede social, mas acho que o meu ponto está claro. Poderia ser por mensagem, FaceTime, Telegram ou qualquer outro meio. Quer saber como uma pessoa está? Liga para ela, envia uma mensagem, separa 5 minutos do seu “precioso” tempo para realmente se conectar.

Estar acompanhando a vida do outro através de um feed não te aproxima desta pessoa. É tudo muito superficial, todos estão polindo e validando o próprio ego em troca de migalhas, ou pior, de fornecer, de mão beijada um relatório detalhado da sua vida e de outros para empresas lucrarem ou até para pessoas mal intencionadas.