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Família e seus conceitos


Família pode significar muitas coisas, para alguns, um refúgio de amor, apoio e união. Pode ser classificada como a unidade fundamental das sociedades, composta por pessoas que possuem laços e desenvolve papel fundamental na formação dos indivíduos.

Segundo a Wikipedia, é um agrupamento humano formado por duas ou mais pessoas com ligações biológicas, ancestrais, legais ou afetivas que geralmente vivem ou viveram na mesma casa. Resumindo, é um conjunto de pessoas que possuem algum grau de laços podendo ou não viver no mesmo local, formando um lar.

E existem vários tipos de família e vários níveis de relacionamento. Algumas possuem relações muito próximas e saudáveis com seus familiares e outras muito distantes. Outros poderão ter relação de amor e ódio, alguns que querem esquecer as suas famílias. Mas não concordo que família são formadas apenas por pessoas, acredito que animais também podem compor este agrupamento. Tenho certeza que você que está a ler tem um gato, cachorro ou outro pet, o considera da família. E eles, sem sombra de dúvidas, consideram-o da família deles.

Os diversos tipos de família

Família nuclear

As pessoas mais próximas de ti, irmãos, pais e cônjuges. Geralmente quem reside contigo.

Família extensa

Os “parentes”, basicamente quem tem laços sanguíneos mas não convive na mesma casa.

Família matrimonial

Quando existe um casamento, uma cerimônia que oficializa o laço, seja legal ou religioso.

Família informal

Basicamente o mesmo conceito da matrimonial, mas sem uma oficialização.

Família monoparental

Consiste em apenas um pai ou mãe com um ou mais filhos.

Família anaparental

Quando a ausência dos progenitores, seja qual for o motivo. Basicamente apenas os irmãos sem a presença dos pais.

Família reconstituída

Essa a Disney adora, é quando há uma nova conjuntura matrimonial e então desenvolve-se o papel de madrasta ou padrasto.

Família real

Formada por Rei e/ou Rainha, seus filhos e toda a gente com sangue azul e sobrenomes enormes.

Sagrada família

Para os cristãos, Jesus, Maria e José. Para outras religiões, deve ter outro nome ou formação. Para mim, uma igreja em Barcelona muito impressionante.

Um novo aprofundamento

O que quero discutir, é o conceito de família nuclear e família extensa. Por que, se já se casou ou saiu da casa dos seus pais para viver com outra pessoa, começa a perceber que, querendo ou não, existe um afastamento, seja ele físico ou emocional. Nossos pais podem deixar de fazer parte do núcleo. Porém, eles não deixam de ser família, mas também não são parentes. Estão em alguma posição no meio-termo.

No Japão, existem termos para separar todos estes conceitos:

  • Setai (世帯) - Basicamente, as pessoas que moram junto, seu núcleo doméstico, independente de vínculos sanguíneos ou oficiais e que dividem as despesas.
  • Kazoku (家族) - Um grupo ligado por casamento, filiação ou adoção, em geral o núcleo mais próximo, com ou sem coabitação.
  • Shinseki (親戚) - Os parentes de sangue e os parentes por casamento que ficam fora do círculo do kazoku: tios, primos, os familiares do cônjuge e assim por diante.
  • Mi-uchi (身内) - Literalmente “o interior do corpo”. Por extensão, as pessoas de dentro do seu círculo: em primeiro lugar a família e os parentes próximos, depois quem pertence ao mesmo grupo ou organização. Não é termo legal e não exige laço de sangue.

No Brasil, comprimimos apenas para Família e Parentes. Mas é mais do que isso, e talvez precisamos expandir estes conceitos. E quero introduzir um conceito para os que não são da família sanguínea, mas que escolhemos. Em inglês, chamam de chosen-family (família escolhida). De família orbital.

Você tem a sua família nuclear, independente de quem compor, e também a família orbital, que são pessoas muito próximas, que podem servir de apoio, podem ser da família escolhida e também da sua família originária.

A família a partir do indivíduo

VocêOrigem (pais, irmãos, quem criou)Parentesco (sangue ou casamento)Escolhida (amigos, família escolhida)

Neste modelo, você é o ponto de referência para compreender as relações familiares. Isso não significa que seja mais importante do que as outras pessoas, mas que a sua experiência permite reconhecer quem compartilha a sua vida, quem participa dela e quem mantém apenas um vínculo de parentesco com você.

A família, portanto, não é definida exclusivamente pelo sangue, pelo casamento ou pelo sobrenome. Ela também se constrói pela convivência, pelo afeto, pelo cuidado e pela disposição de estar presente. A partir dessa perspectiva, podemos distinguir diferentes formas de pertencimento familiar.

Família nuclear: quem compartilha o cotidiano

A sua família nuclear é formada pelas pessoas com quem você vive e divide o cotidiano. São aquelas que participam diretamente da organização da casa, das decisões, das responsabilidades e dos acontecimentos que atravessam a sua vida.

Neste modelo, o núcleo não precisa corresponder à estrutura tradicional de um casal com filhos. Ele pode assumir diferentes configurações, com ou sem laços genéticos. O que o caracteriza é a existência de uma vida compartilhada: não apenas ocupar o mesmo endereço, mas construir uma convivência marcada por vínculo, cuidado e responsabilidade mútua.

Família orbital: quem pertence, mesmo sem morar junto

A família orbital é formada pelas pessoas que não integram a sua casa, mas permanecem próximas e participam da sua vida de maneira significativa. São relações nas quais existe afeto, confiança, presença e reconhecimento de pertencimento, independentemente de vínculos sanguíneos ou matrimoniais.

Amigos, pessoas queridas e outros vínculos escolhidos podem fazer parte dessa órbita. Não morar junto não os torna menos importantes: a proximidade familiar também se expressa na escuta, no apoio e na continuidade da relação.

Cada uma dessas pessoas possui, por sua vez, o próprio núcleo e a própria órbita. Essas redes podem se aproximar, se cruzar e até se integrar, formando espaços de convivência e cuidado compartilhados.

Família de origem: de onde você veio

A família de origem reúne as pessoas ligadas à sua formação e à sua história inicial, como pais, irmãos e quem exerceu essas funções na sua criação. É o grupo a partir do qual você teve suas primeiras experiências de convivência, pertencimento e referência familiar.

Essa origem, porém, não determina automaticamente a proximidade no presente. Pais e irmãos podem integrar a sua família nuclear ou orbital, mas também podem estar afastados de ambas. Fazer parte da sua história não significa, necessariamente, compartilhar a sua vida atual.

Distinguir origem de convivência permite reconhecer esses vínculos sem presumir que todos sejam próximos, afetivos ou presentes.

Parentesco: um vínculo sem intimidade

Os parentes são as pessoas com quem você mantém uma ligação por descendência, vínculo sanguíneo ou casamento, mas com quem não necessariamente compartilha convivência, intimidade ou apoio mútuo.

Aqui, a distância não é apenas geográfica. Um parente pode morar perto e permanecer distante da sua vida, enquanto alguém sem qualquer vínculo de parentesco pode ocupar um lugar central nela.

O parentesco identifica uma ligação, mas não define, por si só, a qualidade da relação. Quando existe proximidade e participação efetiva, um parente também pode fazer parte do núcleo ou da órbita.

Relações que mudam ao longo da vida

Essas categorias não são posições fixas nem uma hierarquia de importância. Uma mesma pessoa pode pertencer a mais de uma delas, e o lugar que ocupa pode mudar com o tempo.

O objetivo deste modelo é distinguir o vínculo que existe da relação que efetivamente se vive. Mais do que perguntar quem é sua família por definição, ele propõe reconhecer quem compartilha a sua vida, de que forma e com que presença.